Eu juro que não queria escrever sobre isso, eu juro!!! Mas parece que esse assunto me persegue. Impressionante!!!
Nos últimos meses ocorreram 3 casos idênticos com pessoas muito próximas a mim e adivinhe qual era o roteiro?
1 ato: Mulher apaixonada
2 ato: Relacionamento desgastado
3 ato: Homem não muito apaixonado
4 ato: Mulher insatisfeita
5 ato: Homem querendo pular fora
6º ato: Mulher a beira de um colapso
7º ato: Fim do relacionamento
8º ato: Homem partindo pra outra
9º ato: Mulher desesperada sem saber o que fazer com todo aquele sentimento...
10º ato: Homem desesperado com ex-namorada que vive querendo voltar
11º ato: Mulher querendo sensibilizar o ex-namorado: seja demonstrando sofrimento ou excesso de felicidade.
12º ato: Homem querendo acordar desse pesadelo
13º ato: Mulher não consegue imaginar sua vida sem o ex-namorado.
14º ato: Relacionamento sem futuro
15º ato: Síndrome de persistência no erro (vide meu 2º post)
16º ato: FIM (Final feliz? Não sei pra quem, geralmente os homens saem ganhando nessa).
Eu fui uma pessoa muito cética com relação aos relacionamentos, apesar de crescer sonhando em encontrar o amor da minha vida, casar e ter filhos.
Na minha cabeça juvenil / adolescente eu iria encontrar o amor aos 18, noivar aos 23, casar aos 25 e ter filhos à partir dos 28. Meu amor seria perfeito, bonito, inteligente e dócil, aquele ao estilo “Edward Cullen”, para quem desconhece o personagem é tipo de homem idealizado pelas mulheres, não é estranho que uma mulher o tenha criado e levado milhares e milhares de outras mulheres a suspirarem pelo mundo afora.
Com o passar do tempo vi muita das minhas amigas sofrerem por amor, como se aquele homem fosse o último biscoito do pacote, como se fosse impossível gostar de alguém novamente, como se a vida delas dependesse daquilo.
Eu, fria como sempre, olhava aquilo e não acreditava. Como alguém pode se humilhar tanto? “Para de chorar por quem não te merece”, essa era minha frase predileta.
Eu não entendia, eu não acreditava, pra mim parecia tão fácil, tão óbvio, “vire a página” eu dizia.
Eu cheguei aos 22 anos sem nunca gostar de alguém, sem amar alguém e isso começou a me incomodar. Será que eu nunca seria capaz de amar alguém? Doía ver pessoas excelentes, legais, divertidas, inteligentes se apaixonarem por mim e eu sem ter a menor chance de corresponder a qualquer um deles.
Acreditem, namorei um rapaz ao estilo “Edward Cullen” e não consegui amá-lo. Nada além de um sentimento de amizade e carinho muito grande. Terminei o namoro e fui a vilã da história, aquele personagem, geralmente do sexo masculino, que destrói o conto de fadas do seu companheiro. Parece fácil estar do lado “vilão” da história, mas não é.
Eis que o dia “D” chegou, sim ele chegou, eu descobri o amor. Ele foi construído com o tempo na verdade e numa espécie de reencontro explodiu a paixão, foi extasiante. A princípio foi um sentimento de vitória, sim porque para alguém que tinha medo de nunca gostar de alguém foi a glória.
Este sentimento me proporcionou diversas coisas boas, entre elas um mergulho interior que fez transbordar em mim toda a alegria e felicidade que um ser pode sentir. Eu acordava sorrindo, eu dormia sorrindo, eu tagarelava o dia todo e morria de saudade. Quando o encontrava tinha vontade de beija-lo e beija-lo e dizer “te amo”, mas nunca o fiz, assunto para um próximo post, tipo “Palavras e frases que você não deve dizer a um homem que ainda não sabe o que sente por você”.
Tudo aquilo que antes não fazia sentido passou a fazer. Um novo futuro se mostrou a minha frente e nesse mundo não existia mais a possibilidade de viver sem aquele sentimento.
Só que eu havia me esquecido de um detalhe importante. Naquele momento eu estava tão concentrada no amor que eu sentia, como se fosse uma conquista pessoal, que me esqueci da outra parte. E ele? Também gosta de mim da mesma forma?
Eu não estava preparada para o “NÃO”, pelo contrário, no meu mundo feliz ele também gostava de mim, na mesma intensidade e o “NÃO” não poderia existir, nunca!!!
Essa fase é dura e cega, sabe porque? Simples, não enxergamos as evidências, relevamos tudo e fechamos os olhos. E quando precisamos dizer algo, reclamar ou dizer “Ai, doeu” a gente sente medo de criar o motivo que ele precisava para dizer “ADEUS”.
Não preciso dizer o que aconteceu né? Sim, ele disse adeus.
Foi aí que eu conheci o outro lado desse sentimento, um mergulho interior que fez transbordar em mim toda a infelicidade e tristeza que um ser pode sentir. É indescritível e só quem já sentiu pode compreender. Hã, hã... descobri porque minhas amigas sofriam tanto e porque não era tão fácil como eu achava que era.
Passei noites em claro, chorando o tempo inteiro. Olhos inchados pela manhã e mais lágrimas no trabalho, na rua, em casa e mais noites e mais dias...
E aí vem a pior fase, aquela que nos cega completamente. Quando perdemos alguém do qual amamos tão intensamente fica a herança e a pergunta: o que fazer com todo esse sentimento? Você diz: Xô, xô, vai embora, vai caçar a sua turma e ele se nega a ir embora. Você grita: Tirem esse sentimento de mim, mas ninguém tem poder pra isso.
Fisicamente você sente uma dor na região cardíaca, ela é contínua e persistente. Não é forte como uma dor de dente, mas lembra bem dor de tendinite, quem já sentiu sabe. Dor de tendinite te persegue dia e noite até chegar um momento que você explode. Só que do contrário da tendinite onde você pode tomar um remédio, para esse tipo de dor não há o que faça passar.
Eu senti essa pressão no peito ininterruptamente por 7 meses, uma tortura sobre-humana. Como eu sei disso? Não ria, eu marcava no calendário, pergunte para alguns de meus amigos e eles confirmarão.
O maior perigo é quando essa dor contínua começa a causar surtos emocionais. No desespero de se livrar desse sentimento a solução mais óbvia para acabar com ela aparece na nossa mente: ele tem que voltar pra mim. Mas como? É aí que começam os problemas.
Na maioria das vezes nossas ações iniciam-se com cartinhas, e-mails e recadinhos no celular que enfatizam ao pobre coitado o quanto estamos sofrendo e morrendo de amor. Em seguida começamos a viver de pequenas migalhas que aliviam brevemente a angustia, então caçamos notícias com conhecidos, bisbilhotamos o Orkut, enchemos a paciência no MSN até ele dizer aos amigos que morreu, trocar o número do celular, cancelar a conta no Orkut e te bloquear no MSN.
Fechadas estas primeiras possibilidades iniciam-se as mais ousadas, freqüentar lugares que faziam parte do seu roteiro com ele, mandar presentes de aniversário, natal, páscoa e acredite, tem quem envie presente também no dia dos namorados, taí, poderiam criar o dia do ex-namorado, isso iria fazer muitas mulheres menos infelizes no mundo, pelo menos não se sentiriam culpadas em mandar presentes para o seu amor, ou será ex-amor, ex-atual-amor, sei lá.
Existem reações mais enlouquecidas como contratar um carro de som e leva-lo até o prédio do trabalho dele e gritar “Fulano eu TE AMO, volta pra mim pelo amor de Deus.... senão eu morro”, ou então ficar de plantão na frente da casa dele e quando ele chegar se atirar aos seus pés e implorar que ele volte.
Ridículo né? Também acho, mas não critico. Não que eu acho certo fazer uma coisa dessas, muito pelo contrário, mas aquelas que fazem sei exatamente com que nível de desespero elas estão lidando. Nem todas elas possuem controle emocional, família, amigos e fé para passarem por isso sem deixar em sua vida um histórico de micos.
Se eu tenho um histórico de micos? Sim tenho, mandei e-mails, presentes, rsrsrss... fui bloqueada no MSN, mas diante do nível de tristeza em que estava mergulhada, dos micos que cometi acredito que foram os mais leves, afinal o carro de som poderia me mandar pra outro mundo, com certeza ele iria me matar.
Mas eu sempre tive em mim algo muito forte, de que não posso obrigar ninguém a gostar de mim, então minha luta não foi de fazê-lo voltar e sim do sentimento ir embora.
Foi difícil. Vocês se lembram que a minha tortura do passado era a incapacidade de amar? Pois é, como se livrar de algo que busquei tanto? É como ganhar na megasena e perder o bilhete premiado. Tenho certeza que muitas mulheres se sentiram exatamente assim.
Hoje é difícil assistir ao mesmo filme outra vez e ver pessoas queridas passarem pelas mesmas torturas que passei. A experiência me fez enxergar a vida de forma mais clara, o que evitaria hoje maiores sofrimentos caso venha a passar por isso novamente (isola, xô zica). A intensidade do sofrimento não está ligada as ações provocadas pelos surtos emocionais, mais sim ao período que dura o sofrimento.
Então se preservar é fundamental, aceitar o fim essencial e virar a página vital.
Uma coisa eu posso garantir, depois que tudo passa a dor ganha uma proporção menor a lembrança dos bons momentos. Eu não me arrependo de nada, valeram os anos de sofrimento (anos? Sim, foram 3) para ter tido a oportunidade única de ter amado alguém. Seria muito triste passar uma vida inteira sem sentir isso, como desconheço o futuro o que já vivi serve de garantia.
Eu não amei mais ninguém depois disso, mas sei que irei amar, como já disse anteriormente temos uma capacidade infinita de amor.
Queria poder prever o futuro para saber o momento exato que isso irá acontecer, não só para mim, mas também para todas aquelas que sofrem pelo amor perdido, mas como diz o ditado “O futuro a deus pertence”.
Enquanto o novo amor não chega e você ainda sofre amargamente pelo amor não correspondido a dica é: não cometa micos.
• Fique bem longe da internet, a chance de você mandar e-mails e deixar mensagens é muito grande.
• Não dê presentes;
• Não mande cartas;
• Não deixe de ser você mesma para tentar impressiona-lo, ele sabe o que e como você é;
• Não alugue carros de som;
• Não faça plantão em frente a casa dele;
• Se mesmo assim você estiver a ponto de explodir, chore, chore tudo que tiver direito, de preferência na sua casa, no trabalho e na rua não é legal.
Eu tenho uma boa notícia, com o tempo isso passa e as feridas se fecham. Quanto mais rápido você desistir de lutar por algo que não tem solução, mais facilmente você sairá dessa. E pelo amor de deus, não faça como eu, 3 anos ninguém merece.
Dedico este post:
• Para as minhas amigas que já passaram por isso.
• Para as garotas recém feridas que me inspiraram a escrever este post.• Para todas as mulheres e também alguns poucos homens que já sofreram ou sofrem por amor.
Para aqueles, principalmente do sexo masculino que não entendem porque as mulheres sofrem tanto, escutem a música 50 receitas do Frejat, é uma explicação sucinta sobre esse sentimento de perda e os surtos emocionais provocados por ele.
Beijos a todos.
LJ.
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50 Receitas
Frejat
Composição: Frejat / Leoni
Eu respiro tentando encher os pulmões de vida
Mas ainda é difícil deixar qualquer luz entrar
Ainda sinto por dentro cada dor dessa ferida
Mas o pior é pensar que isso um dia vai cicatrizar
Eu queria manter cada corte em carne viva
Minha dor em eterna exposição
E sair nos jornais e na televisão
Só pra te enlouquecer até você me pedir perdão
Eu já ouvi cinqüenta receitas pra te esquecer
Que só me lembram que nada vai resolver
Porque tudo, tudo me traz você
E eu já não tenho pra onde correr
O que me dá raiva não é o que você fez de errado
Seus muitos defeitos nem você ter me deixado
Nem seu jeito fútil de falar da vida alheia
Nem o que eu não vivi aprisionado em sua teia
O que me dá raiva são as flores e os dias de sol
E cada beijo teu e o que eu tinha sonhado pra nós
São seus olhos e mãos e seu abraço protetor
É o que vai me faltarO que fazer do meu amor?
Eu já ouvi cinqüenta receitas pra te esquecer
Que só me lembram que nada vai resolver
Porque tudo, tudo me traz você
E eu já não tenho pra onde correr
Não há comentários possíveis para essa dor....
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