domingo, 14 de fevereiro de 2010

Para ser completo

Há pouco mais de 8 anos li um livro que me fez rir muito, passar muita vergonha (depois explico esse detalhe) e ajudou a desenvolver minhas atuais teorias sobre a vida. Não me lembro em qual página o autor dedica um capítulo inteiro a ela, a chamada “Teoria do Objetivo da Alma”.

Evandro, o dono dessa teoria, diz que todos nós temos diversos objetivos na vida, mas tem um que é o mais importante, o que guia nossas vidas. Mesmo que você atinja todos os demais objetivos nunca se sentirá completo se não conquistar o principal. A verdade é que o objetivo da alma é aquilo que dá sentido a sua vida.

Isso tudo é tão coerente que no dia-a-dia facilmente você identifica nas pessoas felizes ou nas tristes e amarguradas se o seu objetivo foi ou não alcançado.Veja:

Tem gente que o objetivo da alma é ser rico. Todas as suas energias são voltadas para isso, ele usa sua inteligência, seu potencial, seu circulo de amizades, seu tempo, tudo para atingir seu objetivo. Geralmente é o cara que chega em casa bem tarde, seus assuntos são sempre sobre negócios, está sempre viajando, em jantares e tem muitas amantes... rsrsrs... maldade minha.

Tem gente que o objetivo é ser lindo e desejado. Vive em função de plásticas, academia e gasta tudo que ganha em roupas, cremes e cabeleireiro. São pessoas que chegam a abrir mão de ter um filho para não estragar o corpo ou de aproveitar certas coisas da vida pra cultuar a própria imagem.

Já tem outros que o objetivo é ter um lar, pessoas que vivem na simplicidade, mas são felizes e realizadas por serem pais e mães, de terem um companheiro e viver os frutos desta união.

Quando li essa teoria 8 anos atrás logo meu coração deu sinais de qual seria o meu objetivo da alma. Como é algo independente da minha vontade ficou difícil trilhar um caminho para atingi-lo, mas hoje percebo nos mínimos detalhes, que na verdade, mesmo inconscientemente, alimentei esse desejo à espera de realizá-lo um dia, quem me conhece na intimidade sabe. Daí vem minha paixão por coisas de casa, decoração, culinária, extinto materno. Me guardei pra isso, mesmo sem pensar que era para esta finalidade. No fundo sem eu perceber o objetivo da minha alma guiou meus passos nestes anos que passaram.

Neste intervalo aproveitei para investir nos objetivos secundários, tais como estudar e viajar, mas a sensação de vazio me acompanha. Voltei a pensar nisso tudo estes dias porque o principal, aquilo que mais desejo pra mim, mais uma vez parece distante de acontecer. São idas e vindas, enganos e frustrações que abalaram minhas estruturas deixando-me descrente por alguns momentos.

Estou passando por uma fase de transição neste momento. Foram os trinta anos que chegaram e tudo que isso representa. As mudanças físicas por exemplo estão exigindo de mim maiores cuidados e a pressão profissional então? De verdade isso não me abala profundamente, estou preparada psicologicamente pelo menos para estes efeitos da nova idade, mas outra coisa tem me incomodado nesse novo tempo.

A paciência que eu tinha de esperar a realização do meu objetivo da alma ficou mais urgente, é uma vontade mais intensa, mais latente e a espera de algo que poderá não vir está causando tamanha ansiedade. Talvez isso seja reflexo do turbilhão de sentimentos que estou sentido nesse momento, amor, medo, decepção, solidão, saudade, não sei. O ser incompleto. Vários talentos que não podem ser utilizados. É sentir-se presa quando se quer voar.

A saída que encontrei foi focar novamente nos objetivos secundários e ocupar o tempo. Sinto-me triste porque isso não dá muito sentido a minha vida, isso não me faz feliz de verdade.

Para ser completo o meu coração deverá estar completo. Essa necessidade de compartilhar e amar faz parte daquilo que eu sou. É uma necessidade da minha alma.

O tempo continua passando e entre cada amanhecer e entardecer coisas novas podem surgir e me surpreender, para isso sei que preciso ter paciência e viver um dia de cada vez.

Quem sabe um dia poderei postar aqui o alcance deste objetivo e o dia que será completo, em todos os sentidos.

Até lá!

Luciana J.

PS1. O Livro que cito aqui chama-se “Ria da Minha Vida Antes que eu Ria da Sua”, autor: Evandro Daolio, Editora: Saraiva.

PS2. Desisti de dizer porque passava vergonha lendo esse livro... rs...

PS3. Para aqueles que esperam ou que já encontraram o seu amor e sabem o quanto isso representa em suas vidas, pergunto: essa música da Ivete não descreve o que é se sentir completo no amor? Eu me imagino assim quando encontrá-lo.

“É tão bom ter alguém por perto
Pra você se sentir completo
Ter a mão que te leva pro futuro
Vislumbrando um horizonte seguro”

“É tão bom viajarmos juntos
E viver aproveitando tudo
Amanhã vai ser melhor que hoje
Novos sonhos ao amanhecer”

“Imagino milhões de sorrisos
Cada um com seu jeito de ser
Mas ligados no mesmo destino
Um amor feito eu e você”

“O céu e o mar, a lua e a estrela
O branco e o preto, tudo se completa de algum jeito
Homem, mulher
A faca e o queijo, o incerto e o perfeito
Tudo se completa de algum jeito”

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Scarlet O’hara

Querida amiga Scarlet.

Obrigada por me citar em seu post. Justamente por causa dele estou escrevendo estas linhas dedicadas a você.

É estranho ouvir você falar de certas coisas que já se passaram há tantos anos, que são insistentemente preservadas em seu coração. Às vezes me pergunto o que deve ser mais difícil para você, se é deixá-lo ficar ou deixá-lo partir.

Toda luta por amor é válida, desde que tenha um propósito real e viável. Vejo mães lutando por seus filhos, mulheres por seus amores e homens também. Nem tudo é possível no campo dos relacionamentos e como você mesma comentou em seu blog, não podemos mudar uma coisa: não há como obrigar alguém a nos amar. Não adianta chorar, pedir, implorar, sofrer, fazer promessa, ou mesmo esperar... como diz a música do Frejat “deixar cada corte em carne viva”, isso só nos machuca e não traz ninguém de volta. Perda de tempo!

Você vai dizer que não entendo, pois digo: eu sei o que sente em cada ponto e vírgula. Todas as minhas experiências foram assim, meus relacionamentos sempre terminaram pelo mesmo motivo. É algo que neutraliza todas as suas reações porque não há o que fazer, não há como reverter a situação, a quem pedir perdão ou implorar por uma segunda chance. Como fazer um coração bater por você? E pior, o que fazer com todo sentimento que domina o seu coração?

Também sei que vai pensar que sou cruel e insensível, mas se ser boa é te incentivar a continuar sofrendo, esperando por algo que não te faz feliz, prefiro o papel de amiga má. Nem sempre quando estamos dentro do problema conseguimos enxergar a amplitude das possibilidades.


Quando li seu post me lembrei da história da Scarlet O’hara. Ela amou Ashley Wilkes por anos e anos sem conseguir concretizar seu sonho de amor. Sem perceber, nunca se permitiu ser amada por outra pessoa. Em sua mente e em seu coração só existia um homem, Ashley, Ashley, Ashley... e quando despertou foi tarde demais.

E sabe onde é que mora a maior semelhança? Ele não a libertou. Essa é a maior crueldade vestida de cordeiro. Ela esteve presa à ele por anos vivendo de uma esperança infundada que ele lhe deu, mas sabia que nunca seria dela.

Sei que você encontrou a melhor forma de lidar com essa situação e respeito, mas sinceramente? Queria vê-la feliz, mesmo que fosse com o Ashley Wilkes, mas que fosse real.

Cuidado Scarlet para não deixar o tempo passar e não perceber o Red Buttler da sua vida.

E mais, desejo a você um final mais feliz do que a de viúva Garibaldi.

Força na piruca! Rs


Luciana J.