domingo, 14 de março de 2010

Eu vivo no Pântano? Estou cercada de Ogros!

Queridos leitores, eis que estou aqui para fazer um desabafo. Cansei dos ogros!!!
Eles estão por todos os lados, em casa, nas ruas, no trabalho... na cama? Afff... senhor me tire deste pântano!

Você não sabe o que é um ogro? Pois bem, explico.



Reconhecem esta cena? Pois é, o Shrek é um príncipe perto deles.

Características dos ogros (Lembro que nem todos possuem todas estas características, mas se tiverem mais de 4 destes listados abaixo já é um ogro básico).

• Palitam os dentes
• Não passam desodorante
• Peidam em qualquer lugar e na frente de suas mães, amigas, colegas, namoradas e esposas;
• Gospem na rua
• Arrotam em qualquer lugar
• Adoram gritar
• Comem com a boca aberta
• Andam com o cofrinho a mostra
• Fazem barulhinho com a boca tirando comida entre os dentes snic snic argh
• Não são gentis
• Falam errado "É 10 real"
• Escutam Bruno e Marrone,banda Caliso e afins
• Não mandam flores, não abrem a porta e muito menos puxam a cadeira.
• Falam muitos palavrões
• Enxugam o suor na manga da sua blusa e dizem que isso é prova de amor
• Vivem com o cabelo ensebado e barba por fazer
• Mudam o canal da Tv mesmo quando você está assistindo um canal
• Não tiram o prato da mesa e muito menos jogam o osso do frango no lixo;
• Fazem xixi na rua;
• Fazem xixi fora do vaso;
• Ficam esfregando os dedos dos pés deixando cair aquele queijinho nojento
• Assoam o nariz, limpam com os dedos e jogam no chão (vou morrer só de lembrar desta cena)
• Limpam os ouvidos com o dedo ou tampinhas de bic, olham pra sujeira e limpam na calça;

A lista é maior mas se eu continuar vou ter um colapso.

Não, nós princesas não queremos virar ogras, pelo contrário, queremos que vocês se tornem meninos educados, gentis e bem cuidados.

Senhores, façam deste mundo um lugar mais belo e aprazível de se viver.

Conto com vocês!


Luciana J.

quinta-feira, 11 de março de 2010

O Sentido da Vida

Nas últimas semanas pensei muito nesse tema, pedi até para minha fiel escudeira Escarlet O´hara escrever um post com o mesmo assunto, queria poder entender o ponto de vista de outra pessoa.

Nos últimos meses vivi e aprendi muita coisa, fui do alto ao baixo em questão de dias e voltar a ter domínio sobre meus sentimentos foi um dos grandes aprendizados neste ano. Estou numa fase de redescobrimento e construção, digamos que estou passando por uma reforma interior.

Mas foi há pouco mais de 3 semanas que em apenas 24 horas obtive a maior lição de todas, a vida me pregou uma peça daquelas e até ter certeza de qual caminho as coisas iram tomar vi a minha vida de cabeça pra baixo. Queria poder contar em detalhes essa história, mas não posso, isso envolve outras pessoas que não podem ser expostas aqui, nem mesmo com outros nomes, pois algumas delas nem ao menos desconfiam desta história, mas se sentiriam totalmente ligadas a ela.

O importante é o que fica, o ensinamento. É sobre isso que quero falar, sobre como certos acontecimentos nos pegam de surpresa, sem qualquer aviso ou sinal e nos fazem refletir sobre o sentido da vida.

Minha amiga Scarlet acha que o amor é o sentido da vida, não deixo de concordar, mas acredito que o aprendizado diário é que nos leva ao amor e o amor ao estado de felicidade. Importante lembrar que nem sempre isso ocorre a curto prazo.

O maior obstáculo é o próprio desamor, os freios que nos impedem de ser feliz. São eles: orgulho, vaidade, egoísmo, medo (falta de fé), negativismo, pessimismo... etc.

Perdas, feridas, conquistas, sonhos que não se realizam, são tantas experiências que vivemos todos os dias e para quê?
Tenho minhas convicções filosóficas que me ajudam e dão sentido à parte superior de tudo isso, em acreditar em Deus e sua justiça, por exemplo, mas não vou defender esse ponto de vista aqui, pois cada um tem sua forma de crer e usar sua razão para isso.

Por mais que as pessoas fujam desta máxima é impossível, pois existem coisas que fogem do nosso controle e a minha experiência de semanas atrás veio me mostrar exatamente isso.

Sempre criei critérios para as coisas da vida, procuro ser comedida, racional e prudente. Sabe quando me imaginei passando por situação semelhante? Nunca! Tomei uma rasteira e aprendi que não existe o “nunca” e que muitas pessoas erram conscientes ou não, no meu caso fiz tudo certo e poderia ter dado tudo errado.

Nunca aconteceu de todas as minhas deficiências morais ficarem tão latentes e evidentes quanto a situação com a qual me deparei. Nunca me senti tão frágil. Durante 24 horas vivenciei uma possível realidade que me impôs calma, prudência, desprendimento e humildade. Minha arrogância seria o grande tapa na cara que a vida me daria, a coragem o grande combustível e a vaidade seria atropelada por um trator. Não foi necessário passar por tudo isso.

No fundo eu sabia que aquele era o meu momento, um momento de superação, de descoberta, face a face com o obstáculo, mais ninguém. Desliguei até mesmo o telefone para não correr o risco de ligar e pedir ajuda, foi a melhor coisa que fiz.

Lição da vida: me descobrir em situações como esta. Se não tivesse essa experiência continuaria pensando como antes, teria a mesma opinião limitada de tempos atrás. A tensão, que por horas foram torturantes, veio depois em forma de alívio, lágrimas e aprendizado. O vazio que ficou se transformou em terreno fértil, pelo menos este tem sido meu sentimento desde então.

Não sou outra pessoa depois disso, mas muitas coisas mudaram dentro de mim. Estou mais otimista, mais tranqüila, mais decidida, com um olhar menos rigoroso e isso é algo bom e o bom é contrário ao desamor.

Não acredito que precisamos sofrer para aprender, pelo contrário, viver coisas boas nos ensinam a valorizar e querer cada vez mais o “bom”. E se precisamos enfrentar os problemas, o otimismo ajuda a encontrar de forma mais fácil as soluções. Alimentar o pessimismo é aceitar a derrota.

Apesar do mundo impor certos “modos de vida”, ou seja, de ser e ter, aprendi que tentar fazer parte deste padrão é o primeiro passo para a infelicidade. Tudo se torna mais fácil quando valorizamos o que somos e o que temos, respeitando e valorizando aqueles que nos cercam.

Então, nessa imensa escola que é o mundo, viver é experimentar, testar e aprender. No bom e no ruim sempre existe aprendizado e o resultado sempre traz algo de positivo.

Luciana J.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Para ser completo

Há pouco mais de 8 anos li um livro que me fez rir muito, passar muita vergonha (depois explico esse detalhe) e ajudou a desenvolver minhas atuais teorias sobre a vida. Não me lembro em qual página o autor dedica um capítulo inteiro a ela, a chamada “Teoria do Objetivo da Alma”.

Evandro, o dono dessa teoria, diz que todos nós temos diversos objetivos na vida, mas tem um que é o mais importante, o que guia nossas vidas. Mesmo que você atinja todos os demais objetivos nunca se sentirá completo se não conquistar o principal. A verdade é que o objetivo da alma é aquilo que dá sentido a sua vida.

Isso tudo é tão coerente que no dia-a-dia facilmente você identifica nas pessoas felizes ou nas tristes e amarguradas se o seu objetivo foi ou não alcançado.Veja:

Tem gente que o objetivo da alma é ser rico. Todas as suas energias são voltadas para isso, ele usa sua inteligência, seu potencial, seu circulo de amizades, seu tempo, tudo para atingir seu objetivo. Geralmente é o cara que chega em casa bem tarde, seus assuntos são sempre sobre negócios, está sempre viajando, em jantares e tem muitas amantes... rsrsrs... maldade minha.

Tem gente que o objetivo é ser lindo e desejado. Vive em função de plásticas, academia e gasta tudo que ganha em roupas, cremes e cabeleireiro. São pessoas que chegam a abrir mão de ter um filho para não estragar o corpo ou de aproveitar certas coisas da vida pra cultuar a própria imagem.

Já tem outros que o objetivo é ter um lar, pessoas que vivem na simplicidade, mas são felizes e realizadas por serem pais e mães, de terem um companheiro e viver os frutos desta união.

Quando li essa teoria 8 anos atrás logo meu coração deu sinais de qual seria o meu objetivo da alma. Como é algo independente da minha vontade ficou difícil trilhar um caminho para atingi-lo, mas hoje percebo nos mínimos detalhes, que na verdade, mesmo inconscientemente, alimentei esse desejo à espera de realizá-lo um dia, quem me conhece na intimidade sabe. Daí vem minha paixão por coisas de casa, decoração, culinária, extinto materno. Me guardei pra isso, mesmo sem pensar que era para esta finalidade. No fundo sem eu perceber o objetivo da minha alma guiou meus passos nestes anos que passaram.

Neste intervalo aproveitei para investir nos objetivos secundários, tais como estudar e viajar, mas a sensação de vazio me acompanha. Voltei a pensar nisso tudo estes dias porque o principal, aquilo que mais desejo pra mim, mais uma vez parece distante de acontecer. São idas e vindas, enganos e frustrações que abalaram minhas estruturas deixando-me descrente por alguns momentos.

Estou passando por uma fase de transição neste momento. Foram os trinta anos que chegaram e tudo que isso representa. As mudanças físicas por exemplo estão exigindo de mim maiores cuidados e a pressão profissional então? De verdade isso não me abala profundamente, estou preparada psicologicamente pelo menos para estes efeitos da nova idade, mas outra coisa tem me incomodado nesse novo tempo.

A paciência que eu tinha de esperar a realização do meu objetivo da alma ficou mais urgente, é uma vontade mais intensa, mais latente e a espera de algo que poderá não vir está causando tamanha ansiedade. Talvez isso seja reflexo do turbilhão de sentimentos que estou sentido nesse momento, amor, medo, decepção, solidão, saudade, não sei. O ser incompleto. Vários talentos que não podem ser utilizados. É sentir-se presa quando se quer voar.

A saída que encontrei foi focar novamente nos objetivos secundários e ocupar o tempo. Sinto-me triste porque isso não dá muito sentido a minha vida, isso não me faz feliz de verdade.

Para ser completo o meu coração deverá estar completo. Essa necessidade de compartilhar e amar faz parte daquilo que eu sou. É uma necessidade da minha alma.

O tempo continua passando e entre cada amanhecer e entardecer coisas novas podem surgir e me surpreender, para isso sei que preciso ter paciência e viver um dia de cada vez.

Quem sabe um dia poderei postar aqui o alcance deste objetivo e o dia que será completo, em todos os sentidos.

Até lá!

Luciana J.

PS1. O Livro que cito aqui chama-se “Ria da Minha Vida Antes que eu Ria da Sua”, autor: Evandro Daolio, Editora: Saraiva.

PS2. Desisti de dizer porque passava vergonha lendo esse livro... rs...

PS3. Para aqueles que esperam ou que já encontraram o seu amor e sabem o quanto isso representa em suas vidas, pergunto: essa música da Ivete não descreve o que é se sentir completo no amor? Eu me imagino assim quando encontrá-lo.

“É tão bom ter alguém por perto
Pra você se sentir completo
Ter a mão que te leva pro futuro
Vislumbrando um horizonte seguro”

“É tão bom viajarmos juntos
E viver aproveitando tudo
Amanhã vai ser melhor que hoje
Novos sonhos ao amanhecer”

“Imagino milhões de sorrisos
Cada um com seu jeito de ser
Mas ligados no mesmo destino
Um amor feito eu e você”

“O céu e o mar, a lua e a estrela
O branco e o preto, tudo se completa de algum jeito
Homem, mulher
A faca e o queijo, o incerto e o perfeito
Tudo se completa de algum jeito”

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Scarlet O’hara

Querida amiga Scarlet.

Obrigada por me citar em seu post. Justamente por causa dele estou escrevendo estas linhas dedicadas a você.

É estranho ouvir você falar de certas coisas que já se passaram há tantos anos, que são insistentemente preservadas em seu coração. Às vezes me pergunto o que deve ser mais difícil para você, se é deixá-lo ficar ou deixá-lo partir.

Toda luta por amor é válida, desde que tenha um propósito real e viável. Vejo mães lutando por seus filhos, mulheres por seus amores e homens também. Nem tudo é possível no campo dos relacionamentos e como você mesma comentou em seu blog, não podemos mudar uma coisa: não há como obrigar alguém a nos amar. Não adianta chorar, pedir, implorar, sofrer, fazer promessa, ou mesmo esperar... como diz a música do Frejat “deixar cada corte em carne viva”, isso só nos machuca e não traz ninguém de volta. Perda de tempo!

Você vai dizer que não entendo, pois digo: eu sei o que sente em cada ponto e vírgula. Todas as minhas experiências foram assim, meus relacionamentos sempre terminaram pelo mesmo motivo. É algo que neutraliza todas as suas reações porque não há o que fazer, não há como reverter a situação, a quem pedir perdão ou implorar por uma segunda chance. Como fazer um coração bater por você? E pior, o que fazer com todo sentimento que domina o seu coração?

Também sei que vai pensar que sou cruel e insensível, mas se ser boa é te incentivar a continuar sofrendo, esperando por algo que não te faz feliz, prefiro o papel de amiga má. Nem sempre quando estamos dentro do problema conseguimos enxergar a amplitude das possibilidades.


Quando li seu post me lembrei da história da Scarlet O’hara. Ela amou Ashley Wilkes por anos e anos sem conseguir concretizar seu sonho de amor. Sem perceber, nunca se permitiu ser amada por outra pessoa. Em sua mente e em seu coração só existia um homem, Ashley, Ashley, Ashley... e quando despertou foi tarde demais.

E sabe onde é que mora a maior semelhança? Ele não a libertou. Essa é a maior crueldade vestida de cordeiro. Ela esteve presa à ele por anos vivendo de uma esperança infundada que ele lhe deu, mas sabia que nunca seria dela.

Sei que você encontrou a melhor forma de lidar com essa situação e respeito, mas sinceramente? Queria vê-la feliz, mesmo que fosse com o Ashley Wilkes, mas que fosse real.

Cuidado Scarlet para não deixar o tempo passar e não perceber o Red Buttler da sua vida.

E mais, desejo a você um final mais feliz do que a de viúva Garibaldi.

Força na piruca! Rs


Luciana J.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Refletindo sobre a dor


É interessante. Já perceberam que todo início de ano sempre ocorre grandes desastres que marcam e mexem com nossos sentimentos? E podem perceber, na maioria das vezes são por causas naturais, ou por resultado das ações do próprio homem.

Esses últimos acontecimentos no Haiti me fizeram refletir sobre a dor, seja ela física ou de ordem moral, creio que ela ainda seja o grande algoz do ser humano, um professor duro e rígido que nos faz frear, pensar e na maioria das vezes até mesmo mudar.

Por diversas vezes me pego reclamando de coisas tão pequenas, de tão pouca significância e basta olhar para o lado para perceber que a dor atinge outras pessoas de forma tão mais intensa, em níveis tão altos que chega a colocar em prova qualquer grau de sanidade.

Por um momento tentei me imaginar nesta experiência, como se eu pudesse me transportar para um outro lugar, uma outra vida e tentar reproduzir na minha mente algumas situações bem diferentes das que vivo hoje.

É muita dor até mesmo para imaginar. A dor física, de ter partes do seu corpo ferido pelo desastre, não ter assistência e nem perspectivas. Dor da fome, dizem que é umas das dores mais agressivas que o ser humano pode sentir. Dor da perda de familiares, amigos, vizinhos, do seu próprio lar, o seu abrigo, o seu refúgio, todas as suas referências de vida. A dor moral de se sentir incapaz de aliviar a dor de alguém, ainda menos a sua. A dor de viver anos na miséria e ver o pouco que se tem esvair-se pelos dedos. A dor de saber que o futuro é incerto, um deserto sem fim e que dificilmente trará algo melhor do que se tinha antes.

Como não desistir? Como fechar feridas tão profundas? Como manter o equilíbrio necessário para não cometer uma loucura? Como não perder as esperanças?



Quando vi esta foto o que mais me chamou a atenção foi o olhar desta criança, é a parte das pessoas que mais admiro. Dizem que é o espelho da alma e eu acredito. Nesse doce e inocente olhar é fácil perceber que ele pouco entende o sentido da dor, mas ele sente.

É um ser com todas as possibilidades, toda a capacidade, tão maior ou igual as nossas. Ele tem mãos, braços, pernas, inteligência e principalmente, sentimentos. Ele tem necessidades, vontades e sonhos, mas todos eles dificilmente serão atendidos, porque as oportunidades serão poucas.

Então, de volta ao meu mundo de Alice, longe de todas essas tragédias humanas, o mínimo que devo fazer neste momento é valorizar e muito tudo que tenho. Saúde, trabalho, família, amigos, nada me falta. E mais, saber que sou um ser inteligente, pensante e com vontade, o que me coloca na condição de poder ser útil nesse mundo tão frio e individualista. Que as minhas mãos podem afagar um outro ser sem afeto, dar de comer a quem tem fome, ouvir quem precisa ser ouvido ou ser apenas gentil com o meu semelhante. Não quero ser a madre Tereza e muito menos salvar o mundo, mas não quero ser uma pessoa indiferente com os sentimentos do meu semelhante.

Às vezes vejo pessoas fazendo comentários agressivos quanto à raça, cor, origem, educação... como se as outras pessoas não tivessem justamente os mesmos sentidos que os nossos: dor, medo, vontade, esperança, sonhos e necessidades. A diferença mora nas oportunidades, na estrutura que você recebe na vida seja ela material ou de ordem moral. Claro que cada um sabe aproveitar de forma diferente aquelas que lhe surgem, mas quem somos nós pra julgar?

Burrice é ignoramos a dor do nosso semelhante, justamente nós que nos achamos seres tão superiores e inteligentes. Somos semelhantes e isso vem justamente da nossa origem e destino. Todos nascemos da mesma forma e quando morremos o fim é o mesmo. Nada nos pertence, tudo fica, exceto aquilo que somos e o que plantamos na nossa passagem por aqui.

E para finalizar vale refletir sobre a grandeza que não temos. Um abalo apenas derruba, transforma tudo em ruínas e nos colocam no mesmo papel de igualdade, o de seres frágeis que somos.

Luciana J.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Triste como os dias de chuva...

Acho que vou rir para não chorar. É cômico. Quem diria que depois de 2 meses sem escrever iria voltar para falar de algo totalmente contrário ao último post.


É engraçado. Quando começamos a namorar tudo é festa, descobertas, alegrias e quando terminamos fica esse vazio sem fim.


Adivinharam né? Pois é, chegou ao fim mais um dos meus poucos relacionamentos. Está super recente, foi agorinha mesmo dia 9 de janeiro... isso dia 9... o mesmo dia do fim do meu “outro” relacionamento. Vou morrer de medo desse dia daqui pra frente... rsrsrs


É muito cedo para pensar em outras teorias que colocarei em prática nos meus próximos relacionamentos, mas muitas outras estou podendo colocar em prática e ter constatado a veracidade das minhas idéias.


Estou relendo meu post “Tirem este sentimento de mim” para evitar ao máximo os micos que posso cometer daqui pra frente, mas de certa forma estou orgulhosa do meu comportamento desde então. Pelo menos no balanço que fiz até agora creio que estou fazendo a lição de casa direitinho.


Quando a gente sofre uma decepção amorosa nunca pensa em passar por tudo novamente, mas se a vida nos impõe tal exercício não há como fugir. É parar e encarar.


Nem tudo é tristeza. Toda história tem seu começo, meio e fim. Houveram momentos de felicidade, alguns de tristeza, outros de dúvida, mas o mais importante é que houveram várias experiências novas e que valem a pena serem documentadas aqui.


Umas das lembranças mais legais que guardarei é de nosso primeiro encontro. Mesmo com tanto tempo de convivência havia um abismo entre nós. Não acreditei quando recebi tal ligação me convidando pra sair, mas foi uma festa seguida de medo. O que fazer? O que dizer? Como me comportar? Em se tratando dele eu nunca sabia como agir. Até acertei uma flecha no centro do alvo este dia, nunca mais conseguirei tal proeza. E que dificuldade pra sair esse primeiro beijo tão desejado.


Teve a minha primeira aparição pública em família com direito a vestido longo e tudo. Foi um dia muito especial, nunca tinha vivido esta experiência. É maravilhosa a sensação de ter alguém segurando a sua mão ao entrar no salão e um par para dançar a noite toda. Foi um dia perfeito.


O que falar das poucas, mas deliciosas viagens que fiz para Cruzeiro. Conheci pessoas inesquecíveis e lugares surpreendentes com belezas naturais sem iguais para um lugarzinho escondido perto da divisa com o Rio de Janeiro. O que falar da recepção da família dele, do carinho que sempre recebi nos dias que lá passei. Ganhei de presente até bolo de aniversário e que bolo, o de sabor mais marcante que me lembro até hoje. Não foi a toa que pedi a receita e iniciei as minhas primeiras atividades de doceira.


Também tive o gosto de acompanhar minha mãe me ver namorando. Pela primeira vez trouxe um namorado em casa e foi uma festa vê-la querer encher de mimos o novo projeto de genro. Também tive que vê-la chorar porque não teve tempo de dar um abraço de despedida, como ela disse “já gostava dele como um filho”, mas tem compensado me abraçando nestes dias difíceis e tem sido uma prova maior do seu amor por mim.


Escutei músicas diferentes e gostei. Assisti StarWars! Uma pena que não deu tempo de terminar de ver toda a série e também O Senhor dos Anéis que seria a série seguinte... rs. Bati o recorde de dormir e acordei um dia às 11 da manhã. Quem me conhece consegue acreditar nisso? Comi a comidinha dele, mesmo simples foi bom viver essa experiência. Amanheci pela primeira vez ao lado de alguém, experimentei novos carinhos e fiz muitos carinhos também. Novos sentidos, novas texturas, novos cheiros. Voltei a ser adolescente e fui adulta também.


Já sinto e sentirei muitas saudades de tudo e de todos. Acho que mora aí a grande dificuldade de terminar um relacionamento, tudo que você deixará de fazer, pessoas que dificilmente voltará a ver e o que dizer do sentimento que fica de herança? Eu nem quero pensar nisso... não neste momento.


A única triste lembrança que tenho são das lacunas que ficaram no meio destas experiências maravilhosas. A lembrança dos vários momentos que me senti só estando com alguém. Das lágrimas que derramei.


Justamente por não poder preencher de forma espontânea esses espaços é que ele se foi, pois compreendo que não damos aquilo que não temos e falando de sentimentos é algo inerente da nossa vontade, é algo que acontece sem qualquer explicação lógica.


Bom, hora de voltar pra rotina pacata da vida de solteira. Pra mim se relacionar com alguém é uma aventura que vale muito a pena viver e valeu muito enquanto durou.


No exercício de amar e deixar de amar vale cada experiência, eis aqui mais uma que se encerra e que deixará muitas saudades.


“Não será mais tão presente ma minha mente, mas estará sempre no meu coração”


PS: Ahhh... ia me esquecendo... vou morrer de saudade daquele safado do Dippy, coisa mais fofa e querida.


Luciana J.